sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Exposição de fotografia em suportes alternativos sobre os "Mistérios de Monserrate"


O Palácio de Monserrate recebe a partir de hoje e até 25 de Março a exposição "Camilla Watson - Mistérios de Monserrate", um trabalho realizado por Camilla Watson durante os últimos oito meses. As imagens foram impressas em papel de algodão, e a exposição inclui também um biombo e uma mesa com impressão de fotografias diretamente sobre madeira marítima.

A iniciativa promovida pela Parques de Sintra marca a diferença pelo local que retrata e também pelos métodos de impressão. Com imagens a preto e branco, impressas sobre papel de algodão através da aplicação a pincel de uma emulsão líquida de prata, as fotografias revelam um olhar diferente sobre a beleza e a magia de Monserrate, tratando-se do primeiro trabalho de Camilla Watson sem pessoas nas fotografias.

A fotógrafa utiliza uma emulsão fotográfica gelatinosa, rica em prata, que começa por liquidificar em banho-maria. Este líquido é aplicado a pincel, no escuro, sobre a superfície escolhida: mosaico, madeira, parede, ou simplesmente papel. Após secagem com um ampliador ou um projetor de slides (para superfícies maiores) expõe a superfície a um negativo preto e branco. O processo de câmara escura completa-se com um revelador, banho de paragem e fixador.

O trabalho desta fotógrafa distingue-se pela experimentação de novos suportes, com fotografias impressas diretamente em pedra, madeira, mosaicos e mesmo nas paredes das casas, utilizando uma câmara escura móvel que ela mesma desenhou. "Não tinha uma lista do que queria fotografar, fui com a mente aberta e fotografei só as coisas que me chamavam: a água, cascatas, pedras, peixes, as raízes das árvores; voltei no inverno e atraíram-me as sombras longas e as árvores sem folhas - luminosas no sol baixo de inverno", explica Camilla.

A autora nasceu no Reino Unido em 1967 e começou a sua carreira como fotógrafa de cena de teatro, tendo-se depois dedicado à reportagem e ao retrato. Entre 2001 e 2004 viveu em São Paulo, onde foi convidada pela ONG Meninos do Morumbi para ensinar fotografia a jovens residentes nas favelas, e de cuja experiência resultou "São Paulo - Belo Horizontes", a sua primeira exposição em Lisboa. Posteriormente passou por S. Tomé, Moçambique, Etiópia e África do Sul, continuando o seu percurso na área da reportagem ligada a ONG.

Em Lisboa, onde vive há 5 anos, tem desenvolvido atividades com a comunidade da Mouraria, (incluindo como sócia da associação "Renovar a Mouraria") e a Câmara Municipal de Lisboa tem apoiado alguns dos seus projetos. Entre estes encontram-se "Tributo" e "Dentro-Fora/Passado-Presente", integrados na iniciativa "TODOS 2010" e "TODOS 2011", que consistiram na impressão de fotografias dos moradores diretamente nas paredes das casas. [Fonte: PSML] [notícia n'A Bola]

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